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Horizonte de Eventos

Sérgio Sacani Sancevero
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    Horizonte de Eventos - Episódio 92 - Traje Espacial: O Principal Problema do Retorno Para a Lua

    26/04/2026 | 50 mins.
    Descrição com 2.886 caracteres (dentro do limite de 3.000):
    Dezesseis de julho de 2013. O astronauta italiano Luca Parmitano flutua a quatrocentos quilômetros da Terra quando sente uma gota de água na nuca. Em poucos minutos, o capacete dele está enchendo. Um litro e meio de líquido cobre os olhos, o nariz, a boca. Ele volta para a câmara de descompressão guiado pela memória, cego, quase se afogando no espaço.
    Treze anos depois, em abril de 2026, astronautas continuam usando o mesmo modelo de traje que quase matou Parmitano. O mesmo equipamento desenhado nos anos setenta para o programa do ônibus espacial. O mesmo traje que vazou outra vez no capacete de Tim Kopra em 2016 e de Matthias Maurer em 2022.
    E a NASA precisa de um substituto. Precisa para a Estação Espacial Internacional, que será desativada em 2030. Precisa, principalmente, para a missão de pouso lunar do programa Artemis, prevista para 2028.
    Neste episódio, mergulho no relatório IG-26-006 do Office of Inspector General da NASA, publicado no dia vinte de abril, que escancara um problema gigantesco: depois de quase duas décadas tentando, depois de bilhões de dólares investidos, depois de quatro programas de desenvolvimento, a NASA ainda não tem um traje espacial novo pronto para usar.
    A história envolve a desistência da Collins Aerospace em 2024, deixando a Axiom Space — uma empresa fundada há menos de dez anos, sem nenhuma experiência prévia em trajes espaciais — como fornecedora única. Envolve parcerias inusitadas com a Prada, que faz os tecidos do traje, com a Nokia, que vai operar a rede 4G na Lua, com a Oakley, que desenhou a viseira, e com a GU Energy Labs, que cuida da nutrição dentro do equipamento. Envolve um cronograma original que era menos da metade do tempo histórico para projetos semelhantes da NASA. Envolve um traje que em 2024 estava acima do peso permitido, consumindo mais oxigênio, água e energia do que poderia. Envolve um conflito de design com o módulo de pouso da Blue Origin, com o lander Starship da SpaceX, com o veículo lunar de superfície.
    E envolve uma pergunta desconfortável: a parte mais difícil da volta à Lua, hoje, não é construir o foguete. Os foguetes existem. A Artemis II voou em abril de 2026 com tripulação. O Space Launch System funcionou. O que falta é a roupa.
    Conto a história completa, do A7L feito por costureiras da Playtex que durante o dia produziam sutiãs, até as oitocentas e cinquenta horas de testes que a Axiom acumulou no protótipo do AxEMU. Da pausa do programa Gateway em março passado, à primeira caminhada espacial comercial da Polaris Dawn da SpaceX em 2024.
    A NASA construiu o foguete do Artemis. Mas talvez tenha esquecido da roupa. E é por causa dela que a Lua continua esperando.
    Fonte: Relatório IG-26-006 do NASA Office of Inspector General — NASA's Acquisition of Next-Generation Spacesuit Services — 20 de abril de 2026.
  • Horizonte de Eventos

    Horizonte de Eventos Episódio 91 - O Fim Do Mundo Quando O Sol Morrer

    25/04/2026 | 52 mins.
    3.920 caracteres, dentro do limite com margem de segurança:
    Daqui a cerca de cinco bilhões de anos, o Sol vai começar a morrer. E quando uma estrela como a nossa morre, ela não simplesmente apaga. Ela inflama, incha, devora os planetas mais próximos, despeja metade da própria massa no espaço em pulsos sucessivos, deixa para trás uma nebulosa planetária de anos-luz de extensão e termina como um caroço denso do tamanho da Terra, sustentado por pressão quântica, esfriando ao longo de trilhões de anos rumo à temperatura do fundo cósmico.
    Esse é o destino do Sol. E também da Terra, de Júpiter, das luas geladas que hoje guardam oceanos sob crostas de gelo, do cinturão de asteroides, de tudo o que orbita por aqui. Neste episódio, conto essa história do começo ao fim. Não a partir do nosso ponto de vista humano, que vai ter sumido muito antes da fase mais dramática, mas a partir da física e da observação direta de outras estrelas que estão neste exato momento passando pelos mesmos estágios.
    Mercúrio é engolido inteiro pelo Sol em expansão. Vênus é vaporizado. A Terra fica pendurada numa incerteza real, debatida em artigos atuais, entre ser engolida ou escapar como casca calcinada. Os oceanos terão evaporado um bilhão de anos antes, porque o Sol já está aumentando de brilho num ritmo lento e inexorável. O destino biológico do planeta se decide muito antes do destino físico.
    As luas geladas do sistema externo entram, por algumas centenas de milhões de anos, na zona habitável temporária do Sol gigante vermelho. Europa, Ganimedes, Calisto, Titã, todas com um intervalo em que a água pode estar líquida na superfície. É uma janela curta em escala cósmica, e talvez a última oportunidade para vida nascer no nosso sistema.
    Depois da fase de gigante vermelha, o Sol expele o envelope numa nebulosa planetária. O que sobra no centro é a anã branca. Carbono e oxigênio com metade da massa solar comprimida num volume do tamanho da Terra. Uma colher de chá daquele material pesa uma tonelada e meia.
    Aqui a história fica menos conhecida e mais interessante. Discos de detritos só se formam em torno de anãs brancas depois que elas esfriam abaixo de 27 mil Kelvin. Discuto o trabalho de Jordan Steckloff, do Planetary Science Institute, que explicou esse limiar térmico em 2021. Conto sobre a cristalização do núcleo da anã branca, prevista em 1968 e finalmente confirmada em 2019 por Pier-Emmanuel Tremblay com dados do satélite Gaia, descobrindo um engarrafamento estatístico no diagrama de Hertzsprung-Russell que corresponde a estrelas em transição de fase, com o calor latente atrasando o resfriamento por bilhões de anos.
    Trago a descoberta recente da equipe de Érika Le Bourdais, da Universidade de Montreal, publicada em outubro do ano passado, sobre a anã branca LSPM J0207+3331. Três bilhões de anos depois da morte estelar, ela ainda está sendo poluída por treze elementos pesados de um corpo rochoso despedaçado pelas suas marés. Sistemas planetários continuam gravitacionalmente ativos muito depois do que se imaginava.
    E entramos no tempo profundo. Cem bilhões de anos depois da morte do Sol, encontros gravitacionais com estrelas vizinhas terão arrancado quase todos os planetas remanescentes. A galáxia inteira se desmonta. A Via Láctea já vai ter se fundido com Andrômeda. As estrelas restantes são ejetadas para o espaço intergaláctico. A anã branca que um dia foi o nosso Sol continua esfriando, atravessa a transição de anã negra, e em prazos de dez elevado a cem anos, se a radiação Hawking for universal, se dissolve em radiação.
    Mas antes da dissolução final, ela cristaliza por inteiro. Carbono comprimido sob pressão extrema vira essencialmente um diamante do tamanho de um planeta. O destino do Sol é um cristal frio vagando no escuro de um universo cada vez mais vazio. Uma imagem que muda a maneira como você olha para o céu de manhã.
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    Horizonte de Eventos - Episódio 90 - Pedaços de Marte na Terra

    22/04/2026 | 52 mins.
    Você já parou para pensar que, neste exato momento, pode estar a poucos metros de um fragmento de outro mundo? O cosmos não é um conjunto de esferas intocáveis, mas um sistema dinâmico onde rochas viajam milhões de quilômetros e planetas "conversam" através de colisões colossais.

    Neste episódio, embarcamos em uma jornada vertiginosa para entender a surpreendente ciência dos meteoritos de outros mundos. Descubra como pedaços de Marte, da Lua e de asteroides distantes conseguiram atravessar o espaço profundo e aterrissar aqui na Terra.

    A história começa com a morte dos dinossauros: o impacto foi tão descomunal que ejetou solo e rochas para fora da atmosfera, ultrapassando a velocidade de escape. Alguns desses detritos podem ter viajado até Marte! Mergulhamos na física desses impactos e entendemos por que é quase impossível encontrarmos rochas de Vênus ou Mercúrio.

    Viajamos até a Antártida para acompanhar o trabalho exaustivo do programa ANSMET, que recupera meteoritos vitais para a planetologia. Desvendamos os mistérios dos meteoritos marcianos — alguns abrigam minúsculas bolhas com o ar de Marte de milhões de anos atrás, funcionando como verdadeiras cápsulas do tempo.

    Revisitamos também o controverso caso do meteorito ALH 84001, que em 1996 levou a NASA a anunciar possíveis microfósseis alienígenas, e como o rigor científico testou e explicou essas evidências. Além disso, trazemos a deliciosa história do Domaine du Météore, um vinhedo francês que por décadas produziu "vinho de cratera" como marketing, até que a ciência provou que a cratera era real!

    Ampliando nosso horizonte, discutimos a fronteira atual: objetos interestelares como Oumuamua, que abrem a possibilidade de encontrarmos meteoritos mais antigos que o próprio Sol. Por fim, exploramos a panspermia lítica — a fascinante ideia de que a vida pode ter viajado entre planetas rochosos a bordo de meteoritos.

    Cada meteorito é uma carta de outro mundo. Aperte os cintos, ajuste seus fones e venha desvendar as histórias escondidas nas pedras que caem do espaço.
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    Horizonte de Eventos - Episódio 89 - Os Ciclos de Milankovitch

    08/02/2026 | 39 mins.
    Hoje, vamos explorar a dança cósmica que molda o nosso mundo: os Ciclos de Milankovitch. Imagine a paisagem onde você vive coberta por quilômetros de gelo. Essa foi a realidade durante as eras glaciais, e a chave para entender esse fenômeno não está na Terra, mas em sua órbita ao redor do Sol. Prepare-se para uma jornada da história da ciência ao futuro do nosso clima.Importante: Os Ciclos de Milankovitch são um ritmo natural e lento do nosso planeta, operando em escalas de dezenas de milhares de anos. Eles NÃO são a causa das rápidas mudanças climáticas que testemunhamos hoje, impulsionadas por atividades humanas. Manteremos essas duas questões separadas, focando na magnífica mecânica celeste que rege os longos ciclos climáticos.Nossa história começa com Milutin Milankovitch (1879-1958), um brilhante cientista sérvio que, insatisfeito com uma carreira de sucesso como engenheiro, buscou um problema de escala cósmica: o mistério das eras glaciais. Ele acreditava que a resposta estava na mecânica celeste. A Primeira Guerra Mundial o surpreendeu, e ele foi feito prisioneiro de guerra. No entanto, em um ato de resiliência notável, ele transformou seu cativeiro em Budapeste em um período de intensa produtividade. Com acesso à biblioteca da Academia Húngara de Ciências, ele calculou à mão os fundamentos de sua teoria revolucionária, provando que mesmo nas circunstâncias mais sombrias, a busca pelo conhecimento pode florescer.O que são os Ciclos de Milankovitch?Milankovitch identificou três variações principais na órbita da Terra que, combinadas, atuam como o maestro do clima global:1.Excentricidade (Ciclo de ~100.000 anos): A forma da órbita da Terra muda de quase circular para ligeiramente elíptica. Essa variação, causada pela atração gravitacional de Júpiter e Saturno, altera a quantidade de energia solar que recebemos. Uma órbita mais elíptica significa uma variação maior na radiação solar entre o ponto mais próximo (periélio) e o mais distante (afélio) do Sol.2.Obliquidade (Ciclo de ~41.000 anos): A inclinação do eixo da Terra varia entre 22.1 e 24.5 graus. Essa inclinação é a razão pela qual temos estações. Uma inclinação maior leva a estações mais extremas (verões mais quentes e invernos mais frios), enquanto uma inclinação menor resulta em estações mais amenas. Verões mais frescos nas altas latitudes são a receita para o início de uma era glacial, pois permitem que a neve do inverno sobreviva e se acumule.3.Precessão (Ciclo de ~23.000 anos): O eixo da Terra "bamboleia" como um pião. Esse movimento altera a época do ano em que a Terra está mais próxima ou mais distante do Sol, mudando qual hemisfério recebe mais calor e, assim, alternando a intensidade das estações entre o Norte e o Sul ao longo de milênios.A combinação desses três ciclos cria um padrão complexo que determina a quantidade de luz solar que atinge as regiões polares. Por décadas, a teoria de Milankovitch foi recebida com ceticismo. A validação veio apenas nos anos 1970, com a análise de núcleos de gelo e sedimentos oceânicos. Esses registros naturais revelaram um padrão de mudanças climáticas que correspondia perfeitamente aos ciclos calculados por Milankovitch, provando que ele estava certo.Hoje, os Ciclos de Milankovitch são um pilar da climatologia. Eles não apenas explicam as eras glaciais da Terra, mas também nos ajudam a entender o clima de outros planetas, como Marte, que experimenta variações orbitais muito mais caóticas.Junte-se a nós neste episódio para uma exploração profunda da dança orbital da Terra, uma história de perseverança científica e uma celebração da beleza e complexidade do nosso universo. Vamos desvendar como os movimentos celestes, lentos e majestosos, moldaram o mundo que conhecemos.Este episódio é um convite para olharmos para o céu com a compreensão de que somos parte de um sistema cósmico dinâmico.A ciência é incrível.
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    Horizonte de Eventos - Episódio 88 - Olhos No Universo!!

    29/01/2026 | 42 mins.
    Você já parou para pensar nas inúmeras formas como a humanidade observa o universo? Do nosso olhar curioso para o céu noturno às lentes poderosas dos telescópios mais avançados, estamos em uma busca incessante por respostas. Neste episódio especial do **Horizonte de Eventos**, convidamos você para uma jornada através de seis olhares distintos que estão redefinindo nossa compreensão do cosmos.🌌 **O Olhar Vigilante: Nosso Guardião Solar**Começamos nossa viagem com o novo guardião da Terra, o observatório SWFO-L1 da NOAA, posicionado a 1.5 milhão de quilômetros de distância. Ele é nossa sentinela silenciosa, um sistema de alerta precoce contra a fúria das tempestades solares, protegendo nossa tecnologia e nosso modo de vida de um perigo invisível que viaja à velocidade da luz. Entenda como esse "olhar" constante para o Sol é vital para a nossa segurança.🚀 **O Olhar Retrospectivo: As Lições do Challenger**Viajamos 40 anos no passado para revisitar o desastre da Challenger. Este não é apenas um olhar de luto, mas um olhar de aprendizado. Mergulhamos na história dos O-rings, na coragem dos engenheiros que alertaram para o perigo e nas lições sobre cultura de segurança e tomada de decisão que ecoam na engenharia espacial até hoje. Uma homenagem à tripulação e um lembrete do preço do progresso.🤖 **O Olhar Artificial: Os Fantasmas de Vidro do Hubble**O que acontece quando ensinamos uma inteligência artificial a olhar para o universo? Ela descobre segredos que nossos olhos jamais viram. Acompanhe a incrível história de como uma IA, treinada por astrônomos, vasculhou décadas de dados do Telescópio Espacial Hubble e revelou mais de 300 novas lentes gravitacionais – distorções no tecido do espaço-tempo que agem como telescópios cósmicos. Um vislumbre de uma nova era de descobertas.☄️ **O Olhar Preditivo: A Chuva de Fogo em Vênus**Imagine prever uma chuva de meteoros... em outro planeta. Pela primeira vez, cientistas antecipam que Vênus será bombardeado por detritos de um asteroide em julho. Este olhar preditivo nos permite estudar a composição de mundos distantes e a dinâmica complexa do nosso sistema solar. Uma previsão que transforma o céu venusiano em um laboratório cósmico.✨ **O Olhar Violento: Fogos de Artifício no Coração da Galáxia**Apontamos nossos telescópios para o centro caótico da Via Láctea, um lugar de beleza e violência extremas. Testemunhe os "fogos de artifício estelares" ao redor do nosso buraco negro supermassivo, Sagitário A*. Estrelas nascendo e morrendo em um piscar de olhos cósmico, algumas sendo violentamente "espaguetificadas" pela gravidade colossal. Um olhar para a dança da criação e destruição que alimenta o motor da nossa galáxia.🌕 **O Olhar para o Futuro: A Promessa da Artemis II**Nossa jornada culmina na plataforma de lançamento, com o imponente foguete SLS da missão Artemis II. Este é o nosso olhar de esperança e ambição, a promessa de que a humanidade voltará à Lua pela primeira vez em mais de 50 anos. Conheça a tripulação, a tecnologia e o significado deste passo gigantesco que abre um novo capítulo na exploração humana do espaço.Seis notícias, seis formas de ver o universo. Junte-se a nós no **Horizonte de Eventos** para esta exploração épica, da fúria do Sol ao nosso retorno à Lua. Dê o play e olhe para o cosmos como você nunca viu antes.

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