A maior aliança militar da história não está enfrentando uma crise de orçamento. Está enfrentando uma crise de propósito.Por 77 anos, a OTAN funcionou como a espinha dorsal da segurança ocidental. Hoje, entre a guerra no Irã, a guerra na Ucrânia abandonada por Washington e uma Casa Branca que trata garantias de segurança como moeda de barganha comercial, a aliança chegou ao ponto mais frágil desde sua fundação em 1949.O gatilho foi a guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro sem consulta aos aliados. A recusa europeia em participar do bloqueio no Estreito de Ormuz expôs uma ruptura que vinha sendo construída há anos. França fechou seu espaço aéreo. Espanha chamou a guerra de ilegal. Alemanha questionou se o envolvimento cabia no mandato defensivo da aliança. A resposta de Washington veio em tom de ameaça: considerar a saída da própria OTAN.Neste vídeo, destrinchamos a arquitetura dessa fratura. Como três crises simultâneas — Ormuz, Donbass e o flanco nórdico-ártico — colidem com uma aliança que opera por consenso e já não tem consenso algum. Por que o rearmamento europeu, por mais acelerado que esteja, não se traduz em capacidade militar no prazo que a Rússia exige. E por que a maior vulnerabilidade da OTAN hoje não é o adversário externo, mas a dúvida sobre o próprio compromisso americano com o Artigo 5.